Financiamento para o Desenvolvimento da China

 China: Financiamento para o Desenvolvimento (FfD)

Durante a última década, as empresas chinesas expandiram seus investimentos em setores estratégicos (infraestrutura, agricultura e mineração) em territórios altamente sensíveis, como o Cerrado brasileiro e a região Amazônica brasileira. Apesar da crescente presença chinesa no Brasil, as informações disponíveis sobre volume, tipo e impacto de seus investimentos ainda são escassas, devido a inconsistências metodológicas ou à falta de transparência. No entanto, de acordo com estimativas oficiais, em 2017, o ingresso de investimentos chineses na economia brasileira alcançou US $ 24,7 bilhões. Mesmo que esses números pareçam confirmar uma tendência geral, o tipo de investimento chinês no Brasil mudou nos últimos anos de greenfield para brownfield. De fato, em 2016, enquanto 53% desses investimentos foram canalizados através de fusões e aquisições, apenas 27% foram investimentos greenfield. Essa mudança significa nos investimentos não necessariamente contribui para a formação de capital doméstico nem para a transferência de novas tecnologias para o mercado brasileiro.

 

De acordo com sua distribuição setorial, as empresas chinesas concentram seus investimentos no Brasil em três setores principais: (i) indústrias extrativas (incluindo petróleo e gás, bem como mineração e metais); (ii) infraestrutura (incluindo transportes, serviços de energia e fontes alternativas de energia); (iii) agricultura. Essa distribuição setorial também tem impactos territoriais, uma vez que os investimentos convergem para dois biomas sensíveis: Cerrado e Amazônia.

 

O volume, os setores, a localização territorial, os riscos e as ameaças socioambientais contra a governança democrática associada a esses investimentos são dignos de nota. Além disso, no contexto de profundas transformações dentro do campo Finanças para o Desenvolvimento (FfD), esses investimentos podem ser parte de uma dinâmica de “corrida para o fundo” (race to the bottom dynamics), em que ao invés de adotar os padrões socioambientais estabelecidos, as empresas chinesas contribuem para desestruturar e flexibilizar políticas e regulamentações nacionais.

 

Assim, este projeto visa a contribuir para o alinhamento de instituições e empresas financeiras chinesas no Brasil com padrões socioambientais acordados internacionalmente. Para atingir esse objetivo, a equipe do BPC tentará preencher as lacunas de políticas e conhecimento, abordando os seguintes problemas:

 

  • Acesso limitado a dados e análise baseada em evidências sobre investimentos chineses no Brasil;
  • Falta de avaliação sistemática dos impactos socioambientais dos investimentos chineses no Brasil (particularmente relacionados ao desmatamento, à flexibilização e aos direitos dos grupos vulneráveis);
  • Ausência de espaços de diálogo para as principais partes interessadas (empresas chinesas e agentes financeiros, governo, organizações da sociedade civil e comunidades afetadas).