eventos
Seminário organizado pelo BPC leva economistas, políticos e acadêmicos internacionais à PUC-Rio para repensar o papel dos países emergentes no novo cenário global
16 e 20 de maio de 2011
O Centro de Estudos e Pesquisas dos países BRICS (BRICS Policy Center – BPC), uma parceria entre a Prefeitura do Rio e o Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio, realizou entre os dias 16 e 20 de maio, o I Seminário Internacional “BRICS e a Reforma da governança econômica global”. O encontro, que ocorreu no salão da Pastoral da PUC-Rio, reuniu cerca de 300 pessoas por dia, além de convidados e jornalistas.
Durante a semana do evento na PUC, acadêmicos, economistas, políticos, representantes dos países-membros e alunos da instituição estiveram reunidos em torno das questões do bloco, que passaram da condição de coadjuvantes a protagonistas do cenário econômico global, principalmente após a crise de 2008.
Paulo Nogueira Batista Jr., Diretor Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI); Andrei Melville, Higher School of Economics, Moscow, Rússia; Vinod Thomas, Diretor Geral e Vice Presidente Sênior do Banco Mundial; Rogério Studart, Diretor Executivo Banco Mundial; Serguei Afontsev, do Institute for World Economy and International Relations, Rússia; Wu Baiyi, Institute of Latin American Studies, China; e Pranab Bardhan, University of California at Berkeley, Estados Unidos foram alguns dos palestrantes de renome internacional que contribuíram para as discussões acerca do grupo, divididas em oito mesas redondas, com temas específicos.
O primeiro dia do seminário contou com uma solenidade de abertura, com a presença do Padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J., Reitor da PUC-Rio, o professor João Pontes Nogueira, diretor do Instituto de Relações Internacionais (IRI) e do presidente do Instituto Pereira Passos, Ricardo Henriques, que representou a Prefeitura do Rio.
A embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, Subsecretária Geral Política II, representante do ministério das Relações Exteriores, fez a Conferência de Abertura do encontro e destacou as duas diretrizes do BRICS: a coordenação entre os países integrantes e a construção de uma agenda própria. Além disso, chamou a atenção para a importância da interlocução com outros países e instituições internacionais, já que o bloco vem se fortalecendo e ganhando tanta relevância quanto grupos que, antes da crise de 2008, prevaleciam no cenário internacional.
Ainda no primeiro dia, ao lado de representantes do Brasil e da Rússia, na mesa redonda com o tema “A resposta dos BRICS à crise internacional”, o diretor do FMI, Paulo Nogueira Batista Jr., falou sobre o impacto dos BRICS como agentes capazes de influenciar reformas nas instituições financeiras internacionais. “Juntos, esses países podem ser uma forte alavanca para a nova política internacional”, afirmou.
No segundo dia de evento, o Seminário tratou de assuntos como as alternativas para a governança da política global, a reforma das instituições financeiras internacionais e a participação dos BRICS nesse processo. O diretor geral e vice-presidente sênior do Grupo de Avaliação Independente do Banco Mundial, Vinod Thomas, fez uma comparação entre os aspectos que considera mais e menos desenvolvidos de cada um dos países integrantes do bloco. "A crise mundial expôs o fato de que politicas prudentes nunca foram tão valiosas. E este é o desafio comum dos BRICS. As politicas de livre-comércio, a educação e a eficiência energética indicam os caminhos mais sensatos a serem trilhados", afirmou.
Após traçar um histórico desde a década de 80 das instituições financeiras internacionais, Rogério Studart, diretor executivo do Banco Mundial, defendeu mudanças nas relações de influência dos países em desenvolvimento nas cadeiras do FMI e do Banco Mundial. Acrescentou, no entanto, que não bastaria a indicação de um presidente de um país emergente, mas principalmente, que são necessárias mudanças como a recaptalização do Banco Mundial com recursos desses países, por exemplo.
Pranab Bardhan, professor de economia da University of California at Berkeley, alertou que é provável que muitos países discordem deste novo modelo de governança global. "É difícil, mas importante lutar pelo equilíbrio entre a autonomia política local e as regras globais e desenvolver outras regras internacionais, com as quais as políticas locais possam se identificar", disse.
Nos outros dias de evento, os palestrantes aprofundaram-se nos temas “Os BRICS e a questão do câmbio”; “Os BRICS e a política internacional”; “Cooperação Científico-Tecnológico entre os BRICS”; “Perspectivas econômicas dos BRICS para o Brasil” e “O papel dos BRICS para o Brasil”.
Claudio Lins, representante do ministério das Relações Exteriores, avaliou os mecanismos essenciais para a aproximação entre os países do BRICS. Ele falou também sobre os diferentes grupos de relação entre os países, como G7, G15, G20 e IBAS. Já o embaixador Marcos Azambuja, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), classificou o BRICS como tendo uma ambição: a de reconfigurar a atual ordem internacional. “E é por isso que eles são tão difíceis de serem ignorados”, disse.
O coordenador-geral do Centro, Alex Jobim Farias, ressalta que o seminário ocorreu em um momento auspicioso para os BRICS, que vêm chamando atenção de analistas e acadêmicos.
- Isso se dá, em parte, em função da resposta que esses países deram à crise de 2008, exibindo uma recuperação muito mais rápida e vigorosa do que as economias americana e europeia. Também se deve salientar a incorporação desses países no centro decisório da governança econômica global, quando o G-20, em 2009, foi escolhido como o principal fórum de coordenação de políticas de resposta à crise – explica Alex - Esses dois elementos coroam a percepção de crescente importância desses países já existente antes da crise, graças à consolidação de Brasil, China e Índia como potências emergentes. Levando-se em conta todos esses fatores, é natural que os BRICS queiram que a mencionada governança seja reformada e reflita permanentemente a nova configuração de poder do sistema internacional - complementa.
Os videocasts das mesas redondas estão disponíveis no site http://bricspolicycenter.org/multimidia.php